segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O PROPÓSITO SUPREMO DE NOSSAS VIDAS


Fomos criados e redimidos para a glória de Deus (1Co 6.20; Ef 1.5,6,11-14). “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). A vida humana somente adquire sentido, propósito, valor e dignidade quando vivida para glorificar a Deus. “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). Esta é a nossa bênção, nossa alegria e nossa maior responsabilidade: viver para adorar a Deus e levar, por meio de nosso exemplo de vida e de nosso ministério, outras pessoas à verdadeira adoração.[1]

Comentando a respeito de Fp 1.20,21, o Pr. John Piper declara: “Podemos dizer agora que a essência íntima da adoração é considerar Cristo lucro; e, de fato, o lucro bem maior do que a vida poderia oferecer: família, carreira, aposentadoria, fama, comida, amigos. A essência da adoração consiste em vivenciar Cristo como lucro. Ou, usando palavras que amamos empregar na minha igreja: trata-se de saborear Cristo, tê-lo como tesouro, deleitar-se nele. Tudo isso consiste na essência íntima da adoração (...) a essência do louvor a Cristo é apreciá-lo. (...) A essência íntima da adoração consiste em apreciar Cristo, tê-lo como algo precioso, um tesouro, a nossa alegria” [2].

Portanto, o verdadeiro adorador é aquele que busca “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6.33), aquele que entra pela “porta estreita” (Mt 7.13,14), deixando tudo para trás para seguir a Cristo (Lc 9.23; Fp 3.7-9), pois encontrou, em Cristo, um tesouro mais valioso do que todas as demais coisas que o mundo possa oferecer (Mt 13.44,45). Jesus é fonte de alegria, como encontrar um tesouro escondido num campo, como achar uma pérola de grande valor. Jesus é nossa alegria, como encontrar um oásis no deserto, como abrir a janela numa manhã ensolarada.

Não seremos felizes enquanto não cumprirmos o propósito de nossa existência. Existimos para glorificar a Deus e nos alegrar n’Ele para sempre (Rm 11.36; Fp 4.4). Nossa missão, como adoradores, é levar essa mensagem a todas as pessoas – que glorificar a Deus é nosso propósito na vida e que Ele é a verdadeira fonte da nossa alegria e felicidade – e fazer com que outros, muitos outros, venham juntar-se a nós na adoração ao Deus vivo e verdadeiro, o Deus santo e justo, o Deus da graça e do amor.

Você está disposto a viver para a glória de Deus?


NOTAS:

[1]. Cf. PIPER, John. Irmãos, nós não somos profissionais: um apelo aos pastores para ter um ministério radical. São Paulo: Shedd Publicações, 2009, p. 246.
[2]. PIPER, John. Irmãos, nós não somos profissionais: um apelo aos pastores para ter um ministério radical. São Paulo: Shedd Publicações, 2009, p. 249.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO: RELEVÂNCIA PARA HOJE


O culto e a adoração a partir do Novo Testamento são totalmente centralizados em Jesus Cristo.A Bíblia declara que Deus, o Criador de tudo, veio a este mundo, pisou neste planeta, andou entre nós, na pessoa maravilhosa de Jesus Cristo (Jo 1.1,14). Em Jesus todo o sistema religioso do Antigo Testamento encontra seu cumprimento definitivo. “Porque o fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Rm 10.4). Assim como Yahweh libertou Seu povo da escravidão do Egito, Cristo nos libertou da escravidão do pecado (Rm 6.17,18,22) e nos tornou Seu povo, o novo Israel, formado por judeus e gentios indistintamente (Ef 2.11-22; 1Pe 2.9,10). Ele pôs fim aos sacrifícios no templo, pois apresentou-se a Si mesmo como sacrifício perfeito, definitivo, pelos nossos pecados (Ef 5.2; Hb 10.1-18), tornando-se nosso sumo sacerdote e único Mediador entre nós e o Pai (2Tm 2.5,6; Hb 6.13 – 8.13). Não precisamos mais de um local específico de adoração, porque o próprio Cristo é nosso santuário, nosso templo, e Ele mesmo é o cumprimento definitivo de toda a mobília do templo: Ele já cumpriu em nossas vidas o propósito e o significado da arca da aliança, da mesa dos pães e do altar do incenso, do altar dos sacrifícios e do Santo dos Santos (Hb 9.1-28; Ap 21.22). Ele também é o nosso sábado, pois descansamos n’Ele para a nossa salvação (Lc 6.1-11; Hb 4.1-11). É a nossa Páscoa (Jo 1.29; 1Co 5.7).

Em Cristo temos tudo o que precisamos para a viver na graça de Deus, de acordo com a vontade de Deus, pois Ele nos tornou verdadeiramente o povo de Deus (Fp 3.3) e templo do Espírito Santo (1Co 6.19). Nosso culto é o cumprimento de todas as promessas e de toda a redenção esperada pelo povo hebreu no Antigo Testamento. Retornar às antigas práticas ritualísticas judaicas, portanto, seria um verdadeiro insulto a Cristo. O verdadeiro culto a Deus é cristocêntrico: Jesus é o foco, Jesus é o alvo, Jesus é o centro da nossa adoração a Deus.[1] Nunca percamos de vista essa verdade, pois no dia em que nosso culto e adoração se tornarem antropocêntricos (o homem no centro), perderemos tudo (cf. Jr 17.5).
Jesus promete estar presente, de modo especial, em meio ao Seu povo reunido em Seu nome (Mt 18.20). Em qualquer lugar do planeta em que os cristãos se reúnem, em nome de Cristo, Ele está presente com eles, para guiá-los e abençoá-los.

O Novo Testamento, assim como o Antigo, descreve como o adorador cristão deve aproximar-se corretamente  de Deus. A humildade, ou pobreza de espírito, é absolutamente essencial (Mt 5.3). Bem conhecido é o fato de que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (cf. Tg 4.6-10; 1Pe 5.5,6). Aproximar-se do Rei dos Reis com um coração soberbo e arrogante é uma péssima ideia! Na parábola do fariseu e do publicano, Jesus mais uma vez deixou isso bem claro (Lc 18.9-14; veja também Mt 18.1-4, onde Jesus afirma que a humildade é uma condição indispensável para entrar no Reino dos céus). A santidade de vida é outro requisito fundamental para o adorador. Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus” (Mt 5.8). Deus odeia o pecado. O autor de Hebreus nos lembra de que “sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14), e novamente nos adverte do temor e da reverência que devemos ter em nossos corações diante do Senhor, se quisermos de fato prestar-Lhe um culto aceitável (Hb 12.18-29), “pois o nosso Deus é fogo consumidor” (v. 29).

A oração ensinada por Jesus (Mt 6.9-13) inclui elementos essenciais para a vida do adorador. A expressão “Santificado seja o teu nome” (v. 9) significa que o nome de Deus – tudo o que Ele é e representa – deve ser santificado em nossas vidas, isto é, separado do pecado e do mal. Em outras palavras, devemos viver e nos conduzir no mundo de acordo com o nome que é invocado sobre nossas vidas, o nome de Deus (Ef 5.1-21; Cl 3.1-17). Nosso testemunho de vida deve ser coerente com a fé que professamos (Rm 12.1,2). Por isso a oração prossegue desse modo: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (v. 10). Somos cidadãos do Reino, portanto devemos viver conforme as leis do Reino. Por isso, a vontade de Deus deve ser cumprida cabalmente em nossas vidas, tal como acontece “nos céus”. “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (v. 12) significa que um coração adorador é um coração perdoador. Se não perdoamos verdadeiramente, não seremos capazes de adorar verdadeiramente. “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” (v. 13a). Mais uma vez, a santificação está em vista. Ser tentado não é pecado. Cair em tentação, sim, é pecado. Em Cristo, temos condições de vencer a tentação (cf. 1Co 10.13). Assim, estaremos livres para louvar: “Porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém” (v. 13b).

O Novo Testamento descreve também a adoração comunitária na igreja primitiva, estabelecendo parâmetros para os cristãos de todas as épocas. Paulo diz aos colossenses: “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração” (Cl 3.16). O ensino da Palavra, seja na pregação, em sala de aula ou no cuidado mútuo entre os cristãos, é prioritário na Igreja. O louvor correto brota do conhecimento correto de Deus. “Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças” (Sl 119.7). Cheios da Palavra, poderemos cantar “salmos, hinos e cânticos espirituais”, sabendo que seremos ouvidos, respondendo “com gratidão a Deus” em nossos corações.

A Bíblia se encerra em adoração, já que o livro de Apocalipse é um manual de adoração. Nele, a palavra “adorar” e suas derivadas aparecem nada menos do que 24 vezes (sendo que em todo o restante do Novo Testamento, elas aparecem somente mais 35 vezes). Além disso, outros termos, como “glorificar”, “agradecer”, “louvar”, “honrar”, “servir a Deus”, “clamar a Deus”, bem como muitos hinos e orações, tornam evidente que a intenção de João, ao escrever a “revelação de Jesus Cristo”, era entregar à Igreja um grandioso compêndio de adoração.[2] Se aprendermos a adorar a Deus mesmo em meio à adversidade e à tribulação, seremos capazes de adorá-Lo em quaisquer outras circunstâncias. Alguns dos mais belos cânticos da igreja primitiva são entoados em Apocalipse: “Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas” (Ap 4.11); “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos” (Ap 15.3,4); “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro” (Ap 19.6-8). O Apocalipse é um grandioso convite à adoração, diante da sala do trono do Rei dos reis! Ali vemos claramente que aqueles que adoram a Deus são os que se recusam a adorar e louvar a besta, mesmo em face ao martírio. O verdadeiro adorador jamais trocará a glória de Deus pela “glória” dos homens ou dos demônios! Em sua vida, a prioridade é Deus! Por fim, o livro termina com a visão da Nova Jerusalém, afirmando que “o trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão” (Ap 22.3), isto é, servirão, louvarão e adorarão por toda a eternidade. Deus tem uma vida produtiva para seus servos, nos séculos dos séculos do porvir – uma vida abençoada, glorificada, útil, na qual jamais cessarão as manifestações de amor, gratidão e louvor Àquele que comprou para Si “gente de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9).

NOTAS:
[1]. Este parágrafo foi baseado em FRAME, John M. Em Espírito e em Verdade. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, pp. 49-53.
[2]. Cf. POHL, Adolf. Comentário Esperança: Apocalipse de João. Volumes I e II. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2001.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO: RELEVÂNCIA PARA HOJE


A adoração no Antigo Testamento, durante o culto, era caracterizada por uma série de detalhes, regras, rituais e exigências que hoje, pela obra de Jesus, não fazem mais sentido para a Igreja. Alguns elementos do culto em Israel, próprios daquela cultura, são incoerentes em nossa cultura ocidental. A tentativa de alguns grupos contemporâneos, de “judaizar” o culto cristão, utilizando inclusive elementos antigos e modernos do culto israelita (tais como toques de shofar, bandeiras de Israel, estrela de Davi, vestes especiais, etc), parece ser mais um desejo fútil e artificial de deslumbrar e emocionar os participantes do culto do que um modo sincero, transparente e aceitável de adorar a Deus.

O adorador nos tempos da Lei devia obedecer a uma série de regulamentos: dias especiais (sábados, dias de festas, o dia anual do perdão, etc) e lugares especiais para o culto (o Templo, principalmente, e as sinagogas, a partir do exílio babilônico). Para a mulher à beira do poço de Jacó, na cidade samaritana de Sicar, Jesus ensinou que era chegado um novo tempo, em que a adoração não mais dependeria de dias ou locais especiais (cf. Jo 4.19-24). Entretanto, o caráter comunitário da adoração seria mantido: no Novo Testamento, há uma ênfase especial à Igreja como templo ou santuário do Espírito Santo (1Co 3.16; Ef 2.19-22; 1Pe 2.4,5), que se manifesta quando nos reunimos, juntos, para a adoração. “O Novo Testamento enfatiza a adoração comunitária. Em Efésios 5.19 e Colossenses 3.16 a igreja primitiva é instruída a cantar salmos, hinos e cânticos espirituais” [1]. Por isso, o autor de Hebreus nos insta a jamais deixarmos de nos reunir (Hb 10.25). Desde a era apostólica, a Igreja separou o domingo como dia de adoração (At 20.7; 1Co 16.1,2), chamando-o “Dia do Senhor” (Ap 1.10), pois foi o dia em que Cristo ressuscitou. Porém, o Novo Testamento insiste, igualmente, em que a adoração e o culto a Deus devem ser uma constante na vida dos cristãos (Rm 12.1,2).

As principais características do antigo culto do povo hebreu eram a atitude solene de temor e reverência diante da majestade e da santidade de Deus, e a mudança de vida decorrente do encontro com Deus, na adoração. Vemos essa atitude em Moisés, que “cobriu o rosto, pois teve medo de olhar para Deus” (Ex 3.4-6); em Jó, que declarou: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5,6); em Isaías, que exclamou: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!”; em Ezequiel, que se prostrou, “rosto em terra”, diante de Deus (Ez 1.28); em Daniel, que caiu prostrado diante do mensageiro do Senhor (Dn 8.15-18).

O Senhor manifestou-se também a todo o povo de Israel, no deserto, sobre o monte Sinai, e o povo, “diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte fumegando”, disse a Moisés: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos” (Ex 20.18-21). “Esses encontros foram muito diferentes uns dos outros, mas há semelhanças importantes entre eles. Deus apresentava-se em sua majestade como Senhor. O adorador era tomado por um temor reverente. O controle, a autoridade e a presença do Senhor impunham-se com absoluta evidência. Sua força e seu poder eram esmagadores; falava uma palavra de autoridade e revelava-se na presença do adorador. Este não permanecia o mesmo. Saía da experiência com uma nova missão: servir a Deus com renovada dedicação” [2]. Assim, o adorador, na presença de Deus, sabia que estava diante do Rei dos Reis, do Todo-Poderoso Criador e Senhor, do Santo, do Deus Altíssimo. Não havia espaço para vaidades ou futilidades; tudo era reverência, admiração, louvor, temor e gratidão. Além disso, um encontro com Deus produzia, inevitavelmente, uma transformação radical no adorador. Ninguém – ninguém -  sai “impunemente” de um encontro real com Deus.

Precisamos resgatar essa reverência, esse temor santo, diante do Senhor da Glória, se quisermos adorar verdadeiramente. Como disse Robert W. Bailey: “Não podemos adorar de forma correta até reconquistarmos, como elemento principal da adoração, a consciência tremenda de temor e reverência na presença de Deus” [3]. Não devemos confundir essa reverência e esse temor com estilo de culto. Aqui estamos falando de um estilo de vida. Os cultos podem ser mais formais ou informais, mais espontâneos ou planejados, porém temor e reverência diante da majestade divina é algo que se requer em todos eles, em toda a nossa vida, sempre. Os antigos hebreus cultuavam das duas maneiras: “Quando a nação de Israel cruzou o Mar Vermelho, bem ali na margem eles irromperam em adoração espontânea que incluiu canto, instrumentos e dança (Ex 15). Por outro lado, o tempo de adoração que acompanhou a dedicação do templo foi minuciosamente organizado e coreografado (2Cr 5.11; 7.7)” [4].

Outra característica do adorador nos tempos do Antigo Testamento é que o povo hebreu tinha plena consciência de ser um povo santo, isto é, separado para o Senhor. Dentre todas as nações do mundo, os israelitas haviam sido escolhidos como povo de propriedade particular do Senhor (Ex 6.6,7; 19.5,6). Portanto, deveriam viver em santidade, em obediência a Deus, cumprindo todas as exigências da Lei (observe, por exemplo, o Salmo 15, como exemplo de conduta e integridade esperadas de um adorador). O culto sem santidade, sem integridade e sem temor a Deus, é um insulto ao Senhor. O profeta Isaías começa seu livro denunciando o culto hipócrita prestado por Israel a Deus, em um tom bem duro e sombrio (veja Is 1.10-17). “Deus não aprova a hipocrisia. Em Amós 5.23, o Senhor está farto da hipocrisia de Seu povo, e especialmente de sua música: ‘Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas liras’. Deus não irá ouvir canções de louvor vazias, não importa quão criativas ou bonitas elas sejam, se nossos corações não estiverem retos diante Dele” [5]. E por meio do profeta Malaquias, o Senhor deixa bem claro que não aceita culto sem a honra e o temor devidos (Ml 1.6; 2.1,2). Vida em santidade, consagração e caráter íntegro não são opcionais para o servo de Deus. Sem uma vida dedicada ao Senhor, não pode haver adoração verdadeira. Essa foi a lição que os israelitas tiveram de aprender (Ne 9.29-37; 10.32-39).

Temor, reverência, santidade, integridade. Atitudes que o Senhor espera de Seu povo. Atitudes que devemos ter em nossas vidas, se de fato queremos ser verdadeiros adoradores.


NOTAS:

1. NOLAND, Rory. O Coração do Artista: construindo o caráter do artista cristão. São Paulo: W4 Editora, 2007, p. 21.
2. FRAME, John. Em Espírito e em Verdade. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 38.
3. ALLEN, Ronald; BORROR, Gordon. Teologia da Adoração: o verdadeiro sentido da adoração. São Paulo: Vida Nova, 2002, p. 42.
4. NOLAND, Rory. O Coração do Artista: construindo o caráter do artista cristão. São Paulo: W4 Editora, 2007, p. 22.
5. NOLAND, Rory. O Coração do Artista: construindo o caráter do artista cristão. São Paulo: W4 Editora, 2007, p 32.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

CONCEITOS BÍBLICOS DE ADORAÇÃO


Certa vez, indagado acerca da adoração, Jesus respondeu que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade”, e acrescentou: “São estes os adoradores que o Pai procura” (Jo 4.23). Jesus deixou claro que Deus está procurando, continuamente, verdadeiros adoradores. E a característica dos tais é adorar “em espírito [ou “Espírito”] e em verdade”. Mas o que isso significa?

Jesus afirma: “Nós adoramos o que conhecemos” (Jo 4.22). Adorar em verdade, portanto, é adorar o Deus que conhecemos, o Deus vivo e verdadeiro, em contraste com os inúmeros falsos deuses criados pela imaginação humana. Adorar em verdade é adorar o Deus que Se revela na Bíblia. Somente por meio da Bíblia, que é a Palavra de Deus, poderemos verdadeiramente conhecer a Deus. E o conhecimento de Deus leva, naturalmente, a uma atitude de adoração, como mostram os versículos abaixo:

“Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5).

“Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças” (Sl 119.7).

A Palavra de Deus também funciona como um espelho: revela o que há dentro de nós. “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). A Bíblia nos mostra como realmente somos e, pelo poder do Espírito Santo, transforma o nosso caráter (2Co 3.18).
Ao adorar em verdade, isto é, de acordo com a auto-revelação de Deus nas Escrituras, adoraremos também em espírito. Isso significa uma adoração verdadeira, genuína, espontânea, que brota do coração humano, dirigida unicamente a Deus, com alegria, amor, gratidão e deleite.

“A adoração bíblica e espiritual é o anseio da alma em contemplar a glória e a beleza de Cristo. Quando os adoradores contemplarem a Cristo, terão a alegria de experimentar a presença d’Ele. A adoração atinge seu ponto mais pleno e rico quando a nossa alma se perde na maravilha da glória e da majestade de Deus. Muito do que é aceito como adoração em nossos dias não produz esta maravilha. Os cultos superficiais e vazios que caracterizam a presente geração não produzem nem verdadeiros adoradores, nem grandes santos” [1].

Adorar em espírito é adorar sem fingimento nem hipocrisia. Quanto mais conhecemos a Deus, mais prazer sentimos na adoração. Adorar é um ato que glorifica a Deus e satisfaz a alma humana. Deus nos criou “para o louvor da sua glória” (Ef 1.12,14). A vida humana só tem sentido quando é vivida em adoração ao Senhor. Aurélio Agostinho (354-430 d.C.), bispo da cidade de Hipona, no norte da África, declarou em sua obra Confissões: “Tu nos fizeste para Ti, Senhor, e nossa alma não encontrará descanso senão em Ti”.

O Dr. Russell Shedd afirma: “Deus é perfeito em santidade (Mt 5.48), Criador e Juiz do universo (Tg 4.12). Devemos-Lhe tudo o que exalta a Sua dignidade. No céu, onde o pecado não existe e a influência da rebelião do homem não se aproxima, os seres viventes dão incessante ‘glória, honra e ações de graças’ (Ap 4.9). Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante dAquele que se encontra assentado no trono. Adorarão ao que vive... proclamando: ‘Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder...’ (Ap 4.11). Se nossa adoração não incentiva os membros da comunidade cristã a reconhecerem a dignidade de Deus e do Cordeiro (Ap 5.9,12), ela falha em princípio. Jesus Cristo é digno de receber ‘o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória e louvor’ (v. 12)” [2].

Segundo a Bíblia, a verdadeira adoração inclui: rendição incondicional; serviço a Deus; atitude de reverência a Deus; serviço sacerdotal [3].

O Novo Testamento utiliza 58 vezes a palavra proskyneo (“adorar”) e suas derivadas. Este termo significa dobrar os joelhos e prostrar-se, numa atitude de total submissão. A mesma atitude dos vinte e quatro anciãos diante do trono de Deus (Ap 4.10). Por isso, a verdadeira adoração envolve a rendição incondicional. Quando adoramos, nos rendemos a Deus, entregando tudo o que somos e temos em Suas mãos, reconhecendo a soberania d’Ele sobre nós. O convite de Jesus não mudou com o passar dos séculos: “se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Em resposta a esse chamado, os verdadeiros discípulos farão o mesmo que Pedro e os demais Apóstolos: “Nós deixamos tudo para seguir-te” (Mc 10.28). O cristão sabe que pertence a Deus, por dois motivos: fomos criados por Ele, e fomos redimidos – comprados – por Ele.

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (Rm 12.1).

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).

Outra palavra utilizada para adoração no Novo Testamento é latreia, que significa “serviço”. Deus não está interessado numa “adoração” que consista meramente em palavras ou cânticos. A verdadeira adoração inclui todas as esferas da vida: religiosa, familiar, social, etc. A Bíblia nos chama de servos e servas de Deus (no grego, utiliza a palavra doulos, que significa “escravo”).

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim, estive preso, e vocês me visitaram’” (Mt 25.34-36).

Nos versículos acima Jesus identifica-se com os desvalidos, e indica que tipo de serviço Ele espera de nós em meio à sociedade. O apóstolo Paulo nos lembra que  “enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gl 6.10), e que “se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente” (1Tm 5.8). O serviço a Deus inclui, necessariamente, o serviço aos nossos semelhantes: “Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tt 2.14). Uma vida de adoração leva a uma vida de serviço, e conduz outras pessoas a glorificarem e adorarem a Deus, por nosso intermédio. Jesus afirma:

“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.14-16).

A atitude de reverência diante do Rei dos Reis, se refere a palavra eusebeia, que no Novo Testamento denota a vida piedosa. É ter o temor de Deus como princípio da sabedoria (Sl 111.10). A tomada de consciência da santidade, majestade e glória divina, sentimento profundo e perturbador que Isaías experimentou ao contemplar o Senhor em seu trono, sendo adorado pelos serafins, e que o levou a exclamar: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.1-5). É a mesma reação de João, ao deparar-se com o Cristo ressurreto e glorificado, na remota ilha de Patmos: “Quando o vi, caí aos seus pés como morto” (Ap 1.17). É a mesma atitude de Ezequiel ao contemplar a visão assombrosa da glória de Deus: “Quando a vi, prostrei-me, rosto em terra” (Ez 1.28). O verdadeiro adorador preocupa-se com o que agrada a Deus, e procura, com todas as suas forças, viver uma vida que glorifique e alegre ao Senhor.

A palavra de Deus ensina que todo cristão é um sacerdote (1Pe 2.9). O Novo Testamento utiliza a palavra leitourgeo para indicar o serviço sacerdotal prestado aos nossos semelhantes. Não existe mais, em nossos dias, a classe dos “levitas”, como havia nos tempos do Antigo Testamento. Os levitas eram um dos clãs, ou “tribos”, dos hebreus, descendentes de Levi, e tinham diversas funções além de tocar e cantar: eles cuidavam dos sacrifícios no Templo, matando e esfolando os animais, limpando o sangue, a gordura e os excrementos, cuidavam da limpeza do Templo, bem como do mobiliário, dos utensílios e ferramentas, etc. Evidentemente é um erro chamar os atuais músicos e cantores de “levitas”. Podemos algumas vezes exercer um serviço sacerdotal no sentido de promover a aproximação entre Deus e os homens, por meio do louvor e da adoração. O verdadeiro adorador levará outras pessoas à adoração e ao louvor ao Deus vivo, por meio de suas palavras, atitudes e ministério.


NOTAS:

1. DICKIE, Robert L. O que a Bíblia ensina sobre Adoração. São José dos Campos: Fiel, 2007, p. 12.

2. SHEDD, Russell. Adoração Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1987, p. 9.

3. Os quatro parágrafos a seguir foram baseados e adaptados de SHEDD, Russell. Adoração Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1987, pp. 16-21.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O CULTO CRISTÃO


O culto cristão é diferente de todos os demais cultos e atos de adoração realizados pelos homens. A principal característica do culto cristão é a centralidade da Bíblia, o que equivale a dizer: o culto cristão é teocêntrico (centralizado em Deus, por meio de Sua Palavra) ou cristocêntrico (centralizado em Cristo, por meio de Sua Palavra), e jamais antropocêntrico (centralizado no homem, por meio de filosofias e interpretações humanistas da Bíblia). Ao lado da pregação da Palavra, a adoração é parte integrante e essencial do verdadeiro culto cristão.

O culto é teocêntrico porque é “a resposta do homem à revelação de Deus; é honra, reverência e louvor que a criatura dedica à divindade” [1]. No culto temos comunhão com Deus e com a igreja; recebemos a instrução do Senhor para as nossas vidas; somos estimulados e desafiados a viver em santidade; temos oportunidade para confissão e purificação dos pecados; somos encorajados e fortalecidos em nossa fé [2]; e além disso tudo, temos o privilégio de adorar a Deus juntamente com os demais cristãos, nossos irmãos e irmãs, a comunidade dos remidos, da qual fazemos parte (Sl 33.1; 95.1-7; 100; 105.1-6; 113.1; 122; 147; 149.1-5; 150; cf. Hb 12.22-24).

O culto deve seguir uma ordem ou liturgia (1Co 14.33,40). “Liturgia” é uma palavra grega que significa “serviço público desincumbido por um cidadão às suas próprias custas; ministério sagrado (Lc 1.23; Fp 2.17; Hb 8.6; 9.21); oficiar como um sacerdote (Hb 10.11); ministrar na igreja cristã (At 13.2)” [3]. Os batistas, assim como outras denominações protestantes, preferem usar o termo “ordem do culto”, que significa basicamente a mesma coisa: a sequência correta e ordenada de atividades que formam e caracterizam o culto, e que visam, juntamente, a glorificação de Deus e a edificação da igreja. Em todo culto cristão, que é lógico ou racional (cf. Rm 12.1,2), existe uma ordem no culto, cujos elementos essenciais são os seguintes:

Leitura bíblica. O culto que visa a glória de Deus e a edificação da igreja jamais deixará de proceder à leitura pública das Escrituras.

Oração. A oração é elemento essencial do culto. Devemos orar no início, durante e no final do culto, pois pela oração nos comunicamos com Deus. A oração pública deve ser clara e objetiva. Orar pela paz mundial no momento dos dízimos e das ofertas, ou orar sobre muitas coisas secundárias durante um batismo, não ajuda o povo de Deus a focalizar sua oração no que realmente está acontecendo naquele instante.

Adoração. Aqui consideramos o termo “adoração” como os hinos e cânticos que fazem parte do culto e que são essenciais ao mesmo. Na adoração elevamos nossas almas ao Senhor nosso Deus, dando-Lhe a glória devida ao Seu Nome. A celebração, a exaltação, a comunhão, a gratidão e a contrição fazem parte da adoração.

Pregação. A pregação é o centro do culto, visto que é o momento em que a Palavra de Deus é ministrada ao povo, o momento no qual a igreja dispõe-se a ouvir as instruções, exortações e todo o conselho divino, a fim de viver uma vida que agrade e glorifique a Deus. A pregação é fundamental, pois é impossível adorar a Deus sem o conhecimento de Sua pessoa e de Sua vontade.

O culto possui outros elementos, também chamados, às vezes, de “meios de graça”, visto que são atividades na comunhão da igreja que “Deus usa para distribuir mais graça aos cristãos” [4]. Existem vários meios de graça que podem fazer parte do culto cristão: o ensino da Palavra, o batismo, a Ceia do Senhor, as ofertas e os dízimos, a comunhão, a evangelização, etc. Tudo isso pode e deve fazer parte do culto cristão.

Exemplo de ordem de culto:

1.      Prelúdio
2.      Leitura bíblica.
3.      Oração.
4.      Boas Vindas aos visitantes e à igreja.
5.      Cânticos.
6.      Oração.
7.      Música Especial – Coral.
8.      Dízimos e ofertas: oração e cântico.
9.      Hino congregacional.
10.  Oração.
11.  Pregação.
12.  Música Especial – Coral.
13.  Oração e bênção final.
14.  Poslúdio (cântico final).


Tudo no culto – cada um de seus elementos – deve apontar para a obra redentora de Cristo, dirigir a atenção de todos para a glória de Deus, focalizando sempre em Deus e jamais no ser humano.

NOTAS

1. MARTINS, Jaziel Guerreiro. Manual do Pastor e da Igreja. Curitiba: A. D. Santos, 2002, p. 115.
2. Idem.
3. MOULTON, Harold K. Léxico Grego Analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 262.
4. GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 801.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

DEUS É DIGNO DE SER ADORADO


1. Deus é digno de ser adorado porque Ele é o Senhor da glória.

Deus é digno de ser adorado. O maior prazer, a maior alegria, a maior satisfação que um ser humano pode experimentar é adorar a Deus em espírito e em verdade (cf. Jo 4.23). Agostinho de Hipona, em suas Confissões, declarou que nós fomos criados por Deus e que nossas almas encontram descanso somente em Deus. O salmista declarou que na presença do Senhor há “alegria plena”, “eterno prazer” (Sl 16.11). Deus criou todas as coisas (Gn 1.1; Sl 102.25). Tudo o que existe, tudo o que já existiu, tudo o que ainda existirá, deve sua existência a Deus – inclusive nós, seres humanos. O vasto universo, com suas miríades de galáxias aparentemente sem fim, foi projetado por Deus, a maior obra de arte jamais criada, salpicada do fulgor de bilhões de sóis, visando um único propósito: proclamar a glória do Criador! (Cf. Sl 19.1; Is 6.3). Nada e ninguém é tão majestoso, tão exaltado, tão sublime e excelso quanto Ele, o Senhor da glória! (Sl 24.1,9,10). Por isso Ele não compartilha a Sua glória com ninguém (Is 42.8): fazê-lo seria idolatria. Pois quem é comparável ao Onipotente? (Is 40.18; 46.5). A maior insensatez humana é não dar a glória devida a Deus (Rm 1.18-23). O pecado afastou a humanidade de seu Criador, impedindo-nos de desfrutar de Sua glória (Rm 3.23). Somente através de Cristo Jesus temos acesso às delícias da glória de Deus (Ef 1.3-14; cf. Sl 16.11), para as quais fomos criados (Is 43.7). Esse Deus maravilhoso, excelso, soberano, altíssimo, sublime e exaltado, veio ao nosso encontro, seres decaídos, corruptos, perversos – nos alcançou com seu amor imensurável, com sua eterna salvação, com sua bondade e generosidade inesgotáveis (Is 43.1-7; Jo 3.16; Rm 5.8; 8.38,39). Ele tem, portanto, duplo direito sobre nossas vidas: como Criador e como Redentor. Como não adorá-lo? Como não servi-lo? Como não entregar, dedicar, consagrar, confiar nossas vidas a Ele? Há muitos que buscam o sentido da vida, a razão para viver. Quem conhece Jesus já sabe: Deus é nossa razão de viver! Não há alegria nem felicidade nem prazer nem satisfação maior do que viver para Deus (Sl 4.7; 43.4; Is 35.10; Rm 11.36; Ap 4.11). Ele é o nosso Bem Supremo.

2. Nossa alma tem sede de Deus.

Esta vida e este mundo são insuficientes para satisfazer as aspirações da alma humana (cf. Ec 3.11). Perdido no mundo, perdido em si mesmo, o homem busca incessantemente meios de preencher o vazio que tem dentro de si – um vazio do tamanho de Deus, parafraseando Pascal – sem nunca atingir seu objetivo (Jr 2.13). Nada parece fazer sentido. Nada parece ter uma razão de ser. Tudo, para o homem sem Deus, parece obra do acaso, fruto do azar. Vagando e tateando nas trevas espirituais, nas trevas de sua própria ignorância e pecaminosidade, o homem ruma para a perdição eterna sem ao menos encontrar uma resposta satisfatória para suas perguntas básicas – suas questões últimas, suas dúvidas existenciais. O mundo tão rico e tão pobre, a vida tão cheia de oportunidades – muitas jamais alcançadas! Tantos tesouros fora do alcance – tudo parece ser uma piada cósmica cruel, destituída de sentido. A vida humana não parece ter mais valor, na vastidão do universo, do que a vida de um rato ou de uma ameba.

O salmista proclama: “a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (cf. Sl 42.1,2; 63.1). O anseio humano pela eternidade, expressado pelo autor de Eclesiastes (3.11, citado acima), nada mais é do que o anseio da criatura pelo Criador. Como diria Agostinho, nossas almas somente encontram descanso em Deus. Fomos criados por Ele e para Ele (Rm 11.36). Não há satisfação nem realização longe de Deus (cf. Sl 84). Por isso aqueles que conheceram a graça divina passam a ser aquilo que John Piper chama de “cristãos hedonistas” – pessoas que encontraram o maior prazer e a maior alegria de suas vidas em Deus (cf. Sl 73.25,26).

3. Aproximando-se corretamente de Deus.

No entanto, há um modo correto de aproximar-se de Deus. É verdade que a Bíblia declara que “Deus é amor” (1Jo 4.8,16). Mas o amor é apenas um dos atributos divinos – existem outros, como santidade e ira contra o pecado. Deus é santo (Is 5.16; 6.3) e não tolera o pecado (Is 1.28; 59.2). O autor de Hebreus declara categoricamente que Deus, em Sua soberania, exerce disciplina sobre nossas vidas, para que possamos participar de Sua santidade (Hb 12.10). De fato, há uma constante, firme e inescapável exigência divina com respeito à santidade (1Co 6.12-20; 2Co 7.1; Cl 3.1-17; 1Pe 1.13-16). O Apóstolo, em Rm 6.1-14, argumenta vigorosamente que os (verdadeiros) cristãos morreram para o pecado, e agora vivem somente para Deus. Na segunda parte do capítulo (6.15-23), ele afirma que outrora éramos escravos do pecado e estávamos livres da autoridade divina; agora, porém, em Cristo, estamos livres do poder do pecado, e nos tornamos “servos” (no original, escravos) da justiça de Deus. Em sua epístola aos Efésios, o Apóstolo ensina que há um “caminho” de boas obras que Deus preparou de antemão para que andemos nele (Ef 2.10). O autor de Hebreus complementa, aludindo ao “novo e vivo caminho” que foi aberto por nós pelo sacrifício de Cristo (Hb 10.20). Esse é o caminho da santidade, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Há, portanto, um modo correto de aproximar-se de Deus. Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Foi em Cristo que Deus nos escolheu, para sermos “santos e irrepreensíveis” (Ef 1.4). O cristão tem um caminho de santidade para percorrer.

4. Adorar a Deus é nossa verdadeira alegria!

Deus é digno de ser adorado e o ser humano somente se realiza como tal ao adorar a Deus, seu Criador. A busca por felicidade, por segurança, por alegria, por satisfação e realização, encontra seu término em Deus. Agostinho estava certo. Nossas almas somente encontram descanso em Deus (cf. a declaração do salmista em Sl 30.11,12). Nesse sentido, o modo como Jesus descreve o “Reino dos céus” é revelador: “é como um tesouro escondido no campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo” (Mt 13.44). A alegria indizível daquele homem, que se desfez de todas as suas propriedades para adquirir o valiosíssimo tesouro, é uma representação da alegria daqueles que abandonaram tudo – suas posses, seus planos, seus projetos, seus sonhos, e a si mesmos – para obter o maior dos tesouros, a maior das alegrias, o maior dos prazeres: a comunhão com Deus (Jo 16.22). A oração de Paulo pelos efésios expressa o desejo do Apóstolo de que eles – e também nós – possamos experimentar em toda a sua plenitude o maravilhoso amor de Cristo (Ef 3.14-21). Diante de tudo isso, só podemos nos juntar a Judas, o meio-irmão de Jesus e irmão de Tiago, e proclamar: “ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém” (Jd 25).

segunda-feira, 13 de abril de 2009

PROPÓSITO: DOXOLOGIA

O propósito deste Blog é "anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1Pe 2.9), a saber, Jesus Cristo, em quem "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Cl 2.3), "dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz" (Cl 1.12), e nos selou com o "Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória" (Ef 1.13,14). Sim, "porque Deus nos escolheu nele [isto é, em Cristo] antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado" (Ef 1.4,5). "Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém" (Rm 11.36). "Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém" (Jd 24,25).